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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Filme #141 – Green Book: O Guia (Green Book, 2018)

Inspirado por uma verdadeira amizade

O ano é 1962. Tony Lip é um dos maiores fanfarrões de Nova York, precisa de trabalho após sua discoteca, o Copacabana, fechar as portas. Ele conhece um pianista e quer que ele faça uma turnê com ele. Enquanto os dois se chocam no início, um vínculo finalmente cresce à medida que eles viajam. O filem teve 06 Indicações ao Oscar.

Confesso que gostei muito desse filme e decidi comentar um pouco sobre ele aqui no blog. Green Book, do diretor Peter Farrelly, conta a história real da amizade inesperada entre o pianista Don Shirley e seu motorista Tony Lipnum contexto norte-americano extremamente racista dos anos 60.


Green Book: O Guia

Tudo começa quando Don Shirley (interpretado por Mahershala Ali), um pianista negro brilhante que deseja fazer uma tour no sul dos Estados Unidos, uma região marcada pelo atraso, pelo preconceito e pela violência racial. Para acompanhá-lo durante esses dois meses de shows ele resolve ir a procura de um motorista/assistente confiável e que tenha boas recomendações.

Tony Vallelonga (interpretado por Viggo Mortensen) - também conhecido como Tony Lip - é um 'fanfarrão' de origem italiana que trabalha na noite em Nova Iorque. A boate onde atuava, chamada Copacabana, precisa ser fechada e Tony se vê sem trabalho durante alguns poucos meses. Responsável pelo sustento de sua família, Tony, que era casado com Dolores e tinha dois filhos pequenos, começa a procurar emprego para subsistir durante os meses em que a boate estava fechada. 

Para o então cargo de chofer, a gravadora de Don contrata o Tony Lip, que além de ser branco e racista é um poço de ignorância e truculência. Ao motorista é entregue o tal “livro verde” que dá nome ao filme. A princípio, o pianista encara o seu motorista como um mal necessário para que a sua turnê termine bem, por questões óbvias de segurança, visto que outros artistas negros já haviam tentado anteriormente fazer tour por aquelas localidades e não conseguiram ir até o fim. Desde o primeiro momento, o abismo entre os dois é notado em todo e cada gesto, em cada diálogo e em cada comportamento.

Green Book

Ao longo do percurso vemos alguns casos explícitos de segregação. Durante uma das apresentações, por exemplo, o pianista é impedido de usar o banheiro do espaço, destinado apenas para brancos. Em outra ocasião Don Shirley é proibido de jantar no mesmo restaurante em que seu público estava. Ao longo da turnê, o músico também não pode se hospedar em uma série de hotéis reservados só para brancos. Tony aos poucos vai criando afeto pelo peculiar pianista e se irrita com as regras antiquadas e racistas da região. Os dois vão gradativamente criando um laço de afeto e crescendo pessoalmente com a experiência de lidarem um com outro, com personalidades tão distintas.

Mas afinal, de onde vem esse nome ''Green Book''? Bem, o filme explica isso: Logo ao iniciar a viagem, Don entrega a Tony o livro Green Book, “Livro Verde”, e o explica que nele constam os hotéis e estabelecimentos que aceitam pessoas negras, visto que a época era de fortíssima segregação racial nos Estados Unidos. Esse livro faz referência ao “The Negro Traveler’s Green Book”, que foi publicado nos EUA entre os anos de 1936 e 1966 e era uma espécie de guia de viagem contendo todos os restaurantes, pontos turísticos e hotéis nos quais pessoas “de cor” eram bem vindas naquela época.

A história é baseada em eventos reais, no ano de 1962, o famoso pianista negro Don Shirley (1927-2013) resolveu fazer uma turnê pelo sul dos Estados Unidos. A viagem aconteceu gerenciada pela Columbia Artists, empresa que administrava a carreira do artista, e durou cerca de um ano e meio (o filme na verdade condensa a história, como se a turnê tivesse durado dois meses). Durante o trajeto, o pianista tocou apenas para um público composto por brancos. Para acompanhá-lo nesse ambiente sulista não muito hospitaleiro, Shirley sentiu que precisava de um motorista, mas também um assistente pessoal e uma espécie de guarda-costas.

Confesso que senti muita admiração pelo Don Shirley. Seu jeito de ser, as vezes até parecia ser eu, apesar de que eu não seria tão extremo como ele. Sobre o Tony, vale mencionar sua redenção durante o filme. Com pensamentos racistas e esteriótipos sobre os negros, ele realmente começa a mudar ao interagir mais com Tony e descobrir o homem incrível que ele era. 

Enfim, um ótimo filme, um tema sério e pesado que é o preconceito racial, mas de uma forma leve e agradável, sim o filme é muito agradável de ser ver. Embarcamos na estrada com os dois, e no final a gente quer continuar a ver mais. É um filme moderado, não tem nenhum exagero emocional, mesmo nas situações extremamente pesadas que poderiam dar espaço para um dramalhão, mas a obra não embarca nisso. Mereceu o Oscar. Recomendo!
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3 comentários

  1. Vou contar a minha história com este filme: antes de mais, vi o trailer e tenho de admitir que a primeira coisa que me chamou à atenção foi a presença do Viggo Mortensen no elenco, pois é um dos meus atores favoritos. Depois o filme estreou um pouco tarde cá e calhou estrear num momento em que tinha sido anunciado o encerramento de um Cinema que eu gostava muito (o Cinema Monumental aqui em Lisboa), então decidi que este ia ser o último filme que eu iria ver lá. E foi uma excelente despedida daquele cinema, pois gostei muito do filme, rapidamente tornou-se num dos meus favoritos. Mais tarde, quando foi a altura dos Óscares eu sempre disse que "gostava que o Green Book vencesse na categoria de Melhor Filme", mas reconhecia que a concorrência era forte, pelo que fiquei muito feliz quando o vencedor foi anunciado. Na semana antes da noite dos Óscares consegui um poster enorme (não sei se vocês aí têm, mas é de uns que há nas estações de autocarro, por exemplo), em que ainda se dizia apenas que o filme estava nomeado! 💚

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    Respostas
    1. Oi, Joana! Muito obrigado por compartilhar isso aqui comigo. Sem dúvidas é um ótimo filme e mereceu mesmo um oscar! :)

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