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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Filme #135 – Grey Gardens - Do Luxo à Decadência (Grey Gardens, 2009)

Descubra o incrível mundo das primas de Jackie Kennedy.

Em 1973, os cineastas Albert e David Maysles entraram no decadente mundo da tia e da prima de Jacqueline Kennedy - Edith Beale e sua filha Edie, documentando a vida destas mulheres que abriram mão de sua luxuosa vida por um isolamento sem precedentes em sua mansão.

Esta produção feita pela HBO (e ganhadora de 6 Emmys), é baseada nas vidas das excêntricas Big e Little Edith Bouvier, respectivamente, tia e prima de Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1994).

Mãe e filha viveram juntas na mansão de Grey Gardens por décadas em quase total isolamento. As condições precárias da vida destas duas mulheres foram expostas, através de um artigo publicado numa revista americana, atraindo a atenção de Albert e David Maysles que fizeram um documentário sobre suas trajetórias, aclamado internacionalmente. Que foi lançado em 1979. O subtítulo "Do Luxo à Decadência" resume bastante esse filme baseado no documentário sobre as vidas de Edith Bouvier Beale ''Little Edie'' (1917-2002) e Edith Ewing Bouvier ''Big Edie'' (1895-1977), as primas socialites da Primeira Dama Jacqueline Kennedy. O filme nos mostra o passado (de luxo) em que ambas as personagens eram vãs, ricas e constantemente procurando por fama e mais dinheiro.

Grey Gardens - Do Luxo à Decadência (Grey Gardens, 2009)

Trinta e cinco anos depois do famoso documentário dos irmãos Maysles – GREY GARDENS: do luxo à decadência – estamos de novo frente a frente com as duas excêntricas parentes de Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis moradoras de uma decadente mansão nos Hamptons: Jessica Lange (vencedora do Emmy) e Drew Barrymore (indicada ao Emmy) encenam  as reclusas mãe e filha que forjaram para si um laço único e inquebrantável. O filme, dirigido por Michael Sucsy, registra quatro décadas enfocando suas vidas bem antes da realização do documentário dos irmaos Maysles.

Antes de ver o filme eu assisti ao documentário há uns anos. É bem interessante porque o filme, de certa forma, complementa o documentário, fornecendo dados sobre a vida das duas antes da decadência (embora eu já tivesse pesquisado sobre a história). Mas é fundamental que se assista ao documentário. O ideal seria vê-lo antes, mas, pra quem já viu o filme de 2009, ainda assim, é importante. Isso porque o filme, embora reproduza literalmente algumas situações e diálogos do documentário, não dá conta da dimensão do que é mostrado no documentário. De certa forma, o filme atenua e até "glamoriza" um pouco não só as condições em que viviam, mas a própria relação das duas, que é era um pouco mais ácida e complexa do que é encenado. 

Só posso dizer que me fez refletir bastante sobre o poder de nossas escolhas no presente. E toda a questão do nosso futuro. O filme da HBO traz toda a realidade e emociona o público, pois se nota que, apesar das discussões entre mãe e filha, existia uma admiração e um amor grande entre elas. Uma das frases marcantes que a mãe disse e me tocou bastante foi enquanto a câmera filmava algumas fotos da filha quando jovem, ela disse: “Não parece a foto de uma jovem que tinha o mundo a seus pés?”.

É difícil dizer as razões que as levaram a esse estado de vida, sem condições alguma. A dança de Little Eddie com a bandeirinha americana e toda a excentricidade das duas é quase inacreditável. Elas convivem com os animais na casa e em meio ao lixo e aos dejetos dos bichos. O método utilizado foi o do cinema direto, sem intervenção, sem músicas, sem preparação do material filmado. Esse tipo de filmagem aproxima o espectador das histórias que estão sendo mostradas. A identificação e a comoção com o que se está vendo se faz muito mais facilmente. Tudo é sentido de uma forma mais intensa, pois sabemos que não houve “encenação” no sentido de criação do que está sendo filmado. No fim das contas, "Grey Gardens" é um belo filme, com grandes atuações e uma história fabulosa. Imperdível!
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