Falando Sobre Filme – #49: I, Tonya (2017) - O Planeta Alternativo: Um pouco disso, um pouco daquilo – e muita música!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Falando Sobre Filme – #49: I, Tonya (2017)

Ei pessoal! Hoje escrevo sobre I, Tonya, lançado em 2017 e baseado na vida da ex-patinadora norte-americana Tonya Harding. Bom, eu já era familiarizado com a história da moça, pois há alguns anos costumava assistir ao E! True Hollywood Story e lá se passava histórias de muitas personalidades, seja atrizes, atores ou qualquer pessoa marcante que seja. Enfim, Tonya ganhou o EHS só dela. Nunca imaginei que um dia ia assistir um filme baseado em sua vida, mas pensando bem, tudo que aconteceu era um prato cheio pra ser desenvolvido como roteiro para os cinemas. Pois bem, vamos lá.

Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo, Tonya Harding (interpretada por Margot Robbie) cresce se destacando no esporte e aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe (interpretada pela ganhadora do oscar Allison Janney). Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly (interpretado por Sebastian Stan), a atleta acaba envolvida num plano bizarro durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994. Baseado em uma história real.

O filme já começa contando a história pela infância de Tonya, quando sua personalidade começou a ser moldada. A maior interferência nesta fase se deu pelos maus-tratos da mãe exigente. E isso acabou refletindo um pouco na fase adulta de Tonya.

I, Tonya

O filme se desenvolve focando no auge da carreira artística de Tonya, tempo esse que ela foi conhecida no mundo todo pela sua habilidade na patinação artística, afinal foi a primeira mulher norte-americana na história a conseguir fazer um triple axel (salto de extrema dificuldade) numa competição. Além disso, participou duas vezes das Olimpíadas de Inverno e conquistou também por duas vezes o título de Campeã Norte-Americana de Patinação. Entretanto, a história mudou seu curso em 1994, quando Harding e seu ex-marido Jeff Gillooly orquestraram um ataque contra a sua maior concorrente, a patinadora Nancy Kerrigan. Em decorrência do ocorrido, Harding foi banida para sempre do esporte.

Apesar do filme não querer humanizar demais a figura de Tonya Harding, chama a atenção no filme o fato de que o roteiro tenta colocar a personagem principal como uma vítima da realidade na qual estava inserida e, principalmente, dos relacionamentos abusivos que marcaram sua vida – com a mãe, que a humilhava e esfregava constantemente na sua cara todos os sacrifícios que foram feitos em prol da trajetória dela na patinação; com o marido, que a violentava frequentemente; e, principalmente, com os jurados da patinação artística, que não a aceitavam e que não achavam que ela pertencesse àquele mundo.

Mesmo assim, nada disso é justificou a escolha que Tonya fez a partir do instante em que decidiu jogar sujo com Nancy Kerrigan, sua principal concorrente. O percurso da personagem poderia ter sido modificado no momento em que ela soube do que Jeff pretendia fazer com Nancy. Mas, não. Falou mais alto em Tonya a possibilidade de enfrentar sua oponente no ringue de patinação, capitalizando sua vaidade e a rivalidade que existia entre ambas. O tratamento cruel que ela recebeu da Associação de Patinação dos Estados Unidos, que permitiu que ela competisse nas Olimpíadas e somente após isso recebesse a punição que a afastaria de vez do esporte, também é um reflexo disso e da maneira como Tonya se portou durante o processo.

Equilibrando momentos engraçados com situações extremamente tensas, (como a cena de Tonya se maquiando e chorando antes de se apresentar), o filme permanece na cabeça do espectador por muitos dias e provoca nele uma sensação melancólica. A patinadora tem dificuldades para ser aceita – pela mãe e pelo público – e em pouco tempo deixa de ser a pessoa mais amada dos Estados Unidos para se tornar a figura mais odiada pelos americanos.

O longa faz um retrato preocupante da sociedade, mostrando a futilidade, a superficialidade e a hipocrisia que a permeiam. Como Tonya diz no final do filme: “As pessoas querem alguém para amar e alguém para odiar. E elas querem que seja fácil.” Recomendo o filme para todos.

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